Score e trilha de canções são coisas diferentes
Vale separar, porque as duas coisas aparecem misturadas nas manchetes. O score é a música original composta para o jogo, e é o que Justice assina. Segundo o We Rave You, em matéria sobre o álbum, ele é afinado dinamicamente com os eventos do jogo e reage às formas como o jogador se move pelas pessoas e lugares de Leonida. O álbum sai pela Because Music, pela Ed Banger e pela Rockstar Games, em 2xCD, 3xLP e digital. A Rockstar fala em 30 faixas, mais um número não especificado de faixas bônus digitais em todos os formatos, e a imprensa descreve cerca de três horas de música. O número exato de faixas com os bônus e a duração total ainda não foram informados oficialmente.
Xavier de Rosnay, que forma a dupla com Gaspard Augé, disse que o alcance do jogo, geográfico e temático, pedia emoções, gêneros e texturas amplos, e que a Rockstar deu liberdade para explorar o que fosse preciso.
A trilha de canções, as músicas que o jogador ouve no rádio e nas ruas, é outra coisa. Chama-se “Grand Theft Auto VI: The Album” e tem 34 faixas. A Paste afirma que o Justice a curou, mas não encontramos confirmação oficial disso. A Rockstar credita a dupla como compositora do score e como participante do álbum de canções por “Flower in a Hurricane”.
Quem mais da eletrônica está no jogo
Entre os singles que a Rockstar já exibe em sua página de trilha estão “That’s It”, de Yung Lean com Future e Metro Boomin, “RHYNO”, de Travis Scott, “Last Thing You Need”, de Morgan Wallen, “Suzuki”, de Fuerza Regida, “Macacoa 2000”, de Rauw Alejandro, “Don’t Chart”, de Cardi B, e “Bright Lights, Big City”, de Keith Richards. A lista oficial exibida não é o elenco completo das 34 faixas.
Os nomes que vêm da pista, em uma leitura editorial nossa, aparecem em “Sexy Magic”, que a Rockstar credita a CA7RIEL & Paco Amoroso, PinkPantheress, Fred again.. e Étienne de Crécy. A PinkPantheress fica na fronteira entre o pop e a eletrônica. A Paste e o We Rave You também citam Guy-Manuel de Homem-Christo, metade do Daft Punk, entre os colaboradores do álbum de canções, mas o nome dele não consta nos créditos que a Rockstar já exibiu.
O dado mais interessante nem é o nome individual, e sim a posição. A eletrônica não está só licenciada para uma cena, está encomendada para escrever o som do jogo, e a música reage ao que o jogador faz. É uma mudança de lugar, de convidado para autor.
O que isso diz para a cena
Para quem acompanha a cena, o recado é duplo. De um lado, a eletrônica francesa segue como uma das escolas mais exportáveis do mundo, com a Ed Banger de novo no centro de um projeto desse tamanho. Do outro, a ligação entre pista e cultura pop de massa passa por canais que a indústria da música eletrônica ainda trata como periféricos. Já falamos disso quando Thomas Bangalter e Rampa co-hospedaram um evento no Art Basel, quando o Daft Punk revelou imagens inéditas de Random Access Memories e quando Charlotte de Witte virou embaixadora da Tudor. São palcos diferentes para o mesmo movimento, o de uma cena que já não depende só do festival para ser ouvida.
Antes do álbum, o Justice faz um set como DJ no Simifest, na Cidade do México, em 5 de dezembro.