Rampa e a ascensão do Keinemusik
Rampa (David Mayer) é um dos fundadores do Keinemusik, coletivo berlinense que inclui também &ME, Adam Port, Reznik e Monja Gentschow. Eles operam como selo, agência de booking, marca de lifestyle e família criativa ao mesmo tempo.
O som deles é sofisticado mas acessível. Melódico mas com peso. Profundo mas dançante. É house music que funciona tanto em Berghain quanto em beach club em Tulum. E eles construíram base global de fãs absolutamente obcecados, que viajam pelo mundo atrás dos shows deles.
No Brasil, Keinemusik tem público cult forte, especialmente em São Paulo e Rio. Não são mainstream, mas quem conhece, conhece fundo. São o tipo de artista que gera identificação quase tribal, onde ir num show deles é mais sobre pertencer a uma comunidade do que apenas ouvir música.
E agora um deles divide billing com Thomas Bangalter no Art Basel. Isso valida o Keinemusik no circuito de arte/cultura de elite global. Mas também valida Bangalter como alguém conectado com o que está acontecendo no underground agora, não preso no passado glorioso do Daft Punk.
O “special guest” (e a especulação inevitável)
O anúncio menciona que Rampa vai tocar das 18h às 23h “ao lado de um convidado especial”. E claro, todo mundo já está especulando: será que Bangalter vai tocar?
A resposta honesta é: provavelmente não no sentido tradicional. Bangalter não é DJ. Nunca foi. Daft Punk fazia live sets, não DJ sets. E desde que a dupla acabou, ele tem evitado cuidadosamente qualquer coisa que pareça “performance nostálgica de ex-Daft Punk”.
Mas isso não significa que ele não vai participar de alguma forma. Pode ser curadoria musical invisível. Pode ser elemento visual/conceitual. Pode ser presença simbólica que transforma o evento em algo maior do que DJ set comum.
Ou pode ser Fred again..
Os rumores de colaboração entre Bangalter e Fred again.. estão circulando desde os b2bs deles. O set do Alexandra Palace foi upado no Apple Music recentemente, reavivando toda a especulação. E Fred again.. é exatamente o tipo de artista que faria sentido num evento conceitual no Art Basel: jovem, cult, massivo mas ainda com credibilidade underground.
Se for ele, a internet vai explodir. Se não for, ainda assim o mistério já cumpriu seu papel: gerar antecipação.