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Cultura

Honey Dijon no Brasil: o que significa a vinda de uma das figuras mais importantes do house para a cena

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Honey Dijon em performance no Drumsheds, House Nation Londres 2024

House Nation não é um evento. É uma declaração.

Honey Dijon nasceu em 1968 no South Side de Chicago. Cresceu numa família negra de classe média onde a música nunca parou. Aos 13 anos, entrou em clube com identidade falsa e encontrou o que a pista de dança sempre foi antes de virar produto: um espaço de liberdade real para pessoas que não tinham espaço em mais lugar nenhum. Foi nesse ambiente que ela aprendeu o que house music significa de verdade. Não como gênero. Como ato político.

Essa origem importa porque explica tudo o que vem depois. Honey Dijon não chegou ao mainstream apesar de quem ela é. Chegou por causa de quem ela é, e do que carrega.

A trajetória que a maioria não conhece

Na Chicago dos anos 80 e 90, ela foi mentorada por Derrick Carter e Mark Farina, dois dos nomes centrais da cena local. No final dos anos 90, mudou para Nova York, onde construiu carreira no underground antes de qualquer visibilidade ampla. Resident Advisor descreveu seu estilo em 2018 como aquele que popularizou um jeito agitado de mixar que pesa sobre disco clássico, techno e house de raiz. Ela mesma foi mais precisa: “muita gente ainda me associa com Chicago house clássico e disco, mas eu consigo tocar techno rítmico e pesado também.”

Décadas antes de qualquer Grammy, ela era residente no Panorama Bar em Berlim, um dos clubs mais respeitados do mundo. Tocava para Louis Vuitton, Dior e Hermès enquanto ainda defendia o underground. Essa combinação, entre alta cultura e raiz de pista, é rara. E não foi construída por acidente.

O que a chegada ao mainstream revela sobre a origem

Em 2022, Beyoncé foi até a fonte. Queria fazer um disco de dança e quis ir até o verdadeiro ponto de origem do house de Chicago. Honey Dijon co-produziu “Cozy” e “Alien Superstar” no Renaissance. O álbum ganhou o Grammy de Best Dance/Electronic Album. Foi o reconhecimento mais amplo da carreira dela, e chegou exatamente porque ela nunca abandonou de onde veio.

Ela falou sobre o momento com precisão: “Pense em todas as pessoas que abriram caminho para que eu pudesse expressar isso. Os Frankie Knuckles, os Ron Hardys, os Derrick Carters. Para Beyoncé reconhecer isso foi muito gratificante. Minha mãe sempre diz: você pode ver minha glória, mas você não conhece minha história.”

Essa frase resume o arco inteiro.

Por que a vinda ao Brasil em 2026 importa

House Nation não é o nome de uma turnê genérica. É o nome de uma série de eventos que Honey Dijon criou com curadoria própria, onde cada edição é uma declaração sobre o que house music representa como cultura. Em 2024, a edição londrina no Drumsheds trouxe Erykah Badu como convidada. A proposta não é contratar uma DJ famosa para tocar num clube. É reconstruir o ambiente em que o house nasceu: inclusivo, político, dançante, honesto.

O Brasil recebe House Nation em São Paulo no dia 24 de julho e em Curitiba no dia 25 de julho. Para a cena brasileira, que tem uma das relações mais antigas e profundas da América Latina com o house e com a cultura de pista queer e negra, a vinda de Honey Dijon não é só um show internacional. É um encontro entre duas histórias que sempre tiveram mais em comum do que o mainstream deixou aparecer.

Encontrei minha paixão pela música eletrônica na infância e sonho em viajar pelo mundo fazendo o que amo e conhecendo novas culturas.

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