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Cena & Comportamento

Leque nas pistas brasileiras: Anne Louise fala sobre expressão e atitude

O leque nas pistas brasileiras virou símbolo de atitude e expressão coletiva. A DJ Anne Louise conta como esse movimento foi construído dentro da cena eletrônica.

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O leque se tornou um dos símbolos mais reconhecíveis das pistas brasileiras. Presente em festas e festivais de norte a sul do país, ele atravessa públicos, gêneros musicais e gerações. Para a DJ Anne Louise, o movimento diz algo mais profundo sobre como a cena eletrônica brasileira ressignifica referências externas com identidade própria.

“Lá fora o leque já era comum, mas aqui ele ganhou uma camada muito mais afetiva. Deixou de ser só um acessório e virou uma forma de expressão. Dentro da comunidade LGBTQIAPN+, ele carrega humor, atitude, é um jeito de se posicionar sem precisar falar”, afirma a artista.

De acessório importado a objeto com identidade brasileira

Anne Louise situa o início dessa transformação em 2019, quando ela e outros nomes da cena começaram a trazer leques de bambu para as pistas. Na época, não existiam modelos com referências visuais brasileiras, frases ou estética local.

“A gente ajudou a construir isso, junto com uma tendência que já vinha sendo impulsionada por nomes como Madonna e, mais recentemente, Beyoncé”, conta.

Créditos: Divulgação

O que começou como importação virou produção própria. Hoje o leque com cara brasileira é presença garantida em praticamente qualquer evento de música eletrônica do país, independente do subgênero ou do perfil do público.

O ataque do leque como ritual coletivo

Nas festas de tribal, o leque ganhou uma função além da estética. O chamado “ataque do leque” se consolidou como resposta direta à batida, criando um momento de interação entre DJ e público que vai além do dançar junto.

“O tribal tem uma energia muito viva, ele pede movimento. O ataque do leque entra como uma extensão da música. Quando a pista responde, parece que todo mundo entra na mesma sintonia. Vira um momento coletivo, quase como um ritual”, descreve Anne Louise.

O fenômeno chegou até a própria produção musical da artista. Em 2024, ela lançou “Leque Ataque” em parceria com Liu Rosa, transformando o gesto da pista em tema de faixa.

A pista como espaço de liberdade

Para Anne Louise, o que o leque representa vai além do visual. Ele é um marcador de pertencimento, uma forma de ocupar espaço sem pedir licença.

“É sobre se expressar, se divertir e fazer parte de algo maior. O leque virou isso dentro da cena”, conclui.

Encontrei minha paixão pela música eletrônica na infância e sonho em viajar pelo mundo fazendo o que amo e conhecendo novas culturas.

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