Cena & Comportamento
Tomorrowland 2026: o cardápio por trás do festival
Do ex-chef com estrela Michelin à parceria com a Biscoff: veja o que está por trás da experiência gastronômica do Tomorrowland 2026.
Publicado
4 horas atrásem
Por
Bruno Artois
Tem um detalhe na edição de 2026 do Tomorrowland que passa longe da cabine de DJ e ainda assim diz muito sobre para onde o festival está caminhando. Thijs Meliefste, chef à frente de um restaurante com estrela Michelin em Wolphaartsdijk, na Holanda, fechou as portas do próprio negócio para assumir o cargo de Global Executive Head Chef da WEAREONE.world, a empresa por trás do Tomorrowland. Não é um cozinheiro contratado para fazer um menu bonito num evento pontual. É alguém que largou o próprio restaurante estrelado para liderar a estratégia global de comida de uma marca que, segundo a própria organização, já não se define só como festival de música, mas como um símbolo mundial de criatividade, unidade e design de experiência.
Esse movimento sozinho já sinaliza que a comida deixou de ser item de logística dentro do De Schorre e virou parte central da proposta. Os números da edição de 2026 reforçam isso: são quatro experiências gastronômicas assinadas, seis chefs de nível internacional, dois mixologistas, 48 fornecedores de catering e mais de 395 pratos diferentes disponíveis para o público ao longo dos dois fins de semana.
Um jantar de quatro estrelados em torno de Consciencia
O carro-chefe da proposta gastronômica é o Tomorrowland Restaurant, onde os chefs estrelados Roger van Damme, Nick Bril, Thijs Meliefste e Marcelo Ballardin uniram forças com a equipe culinária do festival para criar um menu de três tempos construído em torno do tema deste ano, Consciencia. É um jantar pensado para funcionar como extensão da narrativa do festival, não como um serviço à parte dela.
Quem prefere um repertório mais tradicional encontra a Belgian Classics Experience, na brasserie montada no coração do De Schorre, com o chef belga Xavier Van Hecke assinando um menu de três tempos inspirado em pratos típicos do país, como carbonada, vol-au-vent cremoso e uma opção vegetariana equivalente. Já a Brasa BBQ Experience ocupa o que o material do festival descreve como a maior varanda do Tomorrowland, cercada de água e fogo aberto, entre os palcos Rise e Planaxis, com carnes, peixes e opções vegetarianas grelhadas para compartilhar. Vale um parênteses de checagem: o material oficial ainda usa o nome Rise para localizar essa área, mas a cobertura da própria edição de 2026 já registrou a estreia do Celestia no lugar do antigo Rise. Pode ser apenas uma referência geográfica que não foi atualizada no texto de imprensa, mas é o tipo de detalhe que vale confirmar antes de publicar como fato fechado.
A Tailândia chega ao prato antes da edição asiática
Um dos sinais mais claros de que o Tomorrowland está tratando 2026 como o início de uma trilogia entre Bélgica, Tailândia e Brasil aparece no prato. Aproveitando o entusiasmo em torno do Tomorrowland Tailândia, o food yard Papillon ganhou um conceito temporário dedicado à culinária tailandesa, com pratos como curry vermelho, na versão vegana ou tradicional, pad krapow gai e frango ao molho doce e picante. A experiência inclui ainda o Lost in Thaislation, um encontro de coquetelaria de vinte minutos conduzido pela mixologista tailandesa Fahbeer, que combina um drinque inspirado na Tailândia com um prato complementar, numa tentativa de traduzir os aromas e as histórias de Bangkok para dentro do recinto belga.
Bebida sem álcool deixa de ser plano B
A oferta sem álcool ganhou peso próprio nesta edição, em vez de aparecer só como alternativa discreta ao lado do bar principal. O Fresh Juice Bar, do conceito holandês Soupa Doupa, serve sucos e smoothies num espaço cem por cento livre de álcool, organizado por um cardápio com código de cores que promete benefícios como efeito calmante, energizante, hidratante ou voltado à disposição física. A dupla Farah Soeleimansjah e The Noodle Agency assina cinco coquetéis à base de chá, pensados para funcionar tanto com quanto sem álcool. E o premiado bar de coquetéis de Antuérpia, Dogma Cocktails, leva ao festival cinco criações exclusivas, cada uma também disponível em versão mocktail.
Ostras, waffle e vinho espumante com nome próprio
A parceria com a família Oesterij, negócio zelandês que cultiva ostras desde 1906, resultou num Seafood Bar dentro do Papillon, com destaque para a Zeeland Classic Oyster, a Zeeuwse Creuse e uma criação exclusiva batizada de “One Night in Boom”, finalizada com molho de gergelim, nori crocante, pimentão vermelho e agrião. Para quem prefere doce, o Tomorrowland Waffle, em formato de borboleta, chega coberto de chocolate ou farofa crocante de framboesa, com calda cremosa assinada pelo chef belga Roger van Damme. E, para brindar, o Solo Vida Bar serve o espumante próprio do festival, produzido junto à vinícola espanhola Vallformosa por método manual tradicional, engarrafado num design exclusivo criado pela equipe criativa do Tomorrowland.
Papillon: o food court que resume a proposta
O food court Papillon reúne boa parte da nova safra de conceitos de 2026. O açougue De Laet & Van Haver assina um conceito de churrasco em fogo aberto, com pulled pork, pulled chicken, espetinhos, hambúrguer próprio do festival e opções vegetarianas. Existe também um conceito latino-americano de sanduíches estilo sloppy joe, com versões de frango crocante e croquete de rabada gallega. A marca EATERS estreia no festival com bowls de arroz inspirados em poke, misturando frango crocante, salmão fresco, tofu crocante e frango frito ao estilo coreano. E a tradicional casa de queijos belga Van Tricht, fundada em 1970, leva ao Papillon seus croquetes de queijo e a clássica tartiflette. Um detalhe de ativação chama atenção nesse espaço: o Hidden Mirror Experience, uma instalação de espelho com campainha escondida que, ao ser tocada, revela um ponto de atendimento secreto onde o visitante recebe um drinque Solo Vida Spritz preparado na hora.
Vegetariano e vegano deixam de ser exceção
Dos 395 pratos disponíveis ao longo do festival, 91 são veganos e 106 vegetarianos, o que significa que quase metade de todo o cardápio do Tomorrowland 2026 não depende de carne ou peixe. Entre os destaques veganos estão bolinhos de couve-flor e feijão vermelho, o hambúrguer vegetal do próprio festival, batata doce frita coberta de chili vegano, cogumelo ostra frito ao estilo coreano, nachos com identidade própria batizados de Willy Nacho, rolinho primavera vietnamita, banh mi com tempeh, hambúrguer no estilo buffalo ranch, curry amarelo de coco, falafel em pão de fermentação natural e salada de macarrão com tempeh. Dentro do Dreamville, a lista se repete em versão mais compacta, incluindo batata frita belga com chili vegano, tofu frito agridoce, udon com gergelim, o mesmo falafel do recinto principal, onigiri vegano e pad thai de vegetais.
Café da manhã e petiscos dentro do Dreamville
Para quem acampa dentro do Dreamville, o Farmhouse Breakfast oferece um buffet com croissants e pães frescos, frios variados, ovos preparados na churrasqueira, linguiça e bacon defumado, além de panquecas, frutas da estação, iogurte, cereais e sucos e smoothies saudáveis. Completam a oferta do camping o onigiri, o petisco japonês de arroz recheado com opções como carne desfiada, ovo com edamame, salmão com maionese, frango ao gergelim e atum picante, o croquete artesanal da marca Chapeluur, que aposta em receitas inspiradas na cozinha belga e internacional, e o Rock-and-rolls, conceito de padaria plant-based criado pelo belga Dennis Van Peel, com pães de canela e lattes de matcha inspirados na tradição escandinava de doces amanteigados.
Biscoff entra oficialmente no universo Tomorrowland
Fechando o pacote gastronômico de 2026, a Lotus Bakeries, dona da marca Biscoff, anunciou uma parceria global com a WEAREONE.world que inclui o lançamento de um biscoito sanduíche de edição limitada com sabor espresso, criado especificamente para essa colaboração. A primeira onda de lançamento está ligada ao Tomorrowland Belgium e chega ao varejo em mercados selecionados da Europa, com ativação em hotéis parceiros, cafés da manhã e degustação dentro do próprio recinto. Uma segunda onda já está prevista para mais tarde neste ano, dessa vez ligada ao Tomorrowland Tailândia, com abordagem semelhante voltada à região da Ásia-Pacífico. É mais um sinal de que a marca Tomorrowland está deixando de existir só dentro dos dois fins de semana de julho para se tornar presença de consumo o ano inteiro, do supermercado ao festival.
Encontrei minha paixão pela música eletrônica na infância e sonho em viajar pelo mundo fazendo o que amo e conhecendo novas culturas.
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