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Long sets: a arte de transformar a pista em uma jornada sonora

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Créditos: Chris Jackson

Necessidade, escassez e a origem dos long sets

Tendo surgido em um contexto de necessidade e escassez de artistas, hoje eles simbolizam a oportunidade dos DJs e produtores criarem uma maior conexão com o público, além de terem uma maior liberdade criativa.

Nos primórdios da dance music, os clubes e as festas não tinham a grande variedade de artista que temos hoje. Portanto, devido aos line ups reduzidos, os DJs tocavam por mais horas. E é nesse contexto que os long sets nascem.

Nas décadas de 80 e 90, em clubes icônicos como o Paradise Garage (Nova Iorque) e o Berghain (Berlim), DJs como Larry Levan e Ricardo Villalobos eram conhecidos por apresentações que duravam horas, construindo as bases dos long sets que conhecemos hoje.

Crescimento da cena e a essência dos sets prolongados

Com o tempo, a música eletrônica cresceu e, junto a isso, a cena presenciou uma explosão de novos talentos e festivais, mas os long sets mantiveram sua essência e relevância como forma de expressão artística.

Os long sets são apresentações de DJs que duram horas ou, até mesmo, um dia inteiro. Esses sets se destoam do que vemos nos palcos principais dos maiores festivais mundo afora.

Um dos reflexos desse tempo reduzido das apresentações é que uma parte dos DJs fica condicionada a tocar uma determinada vertente sempre, ou seja, dificilmente você verá esses artistas tocando e desenvolvendo outros estilos musicais.

Por exemplo, nos palcos principais de grandes festivais como Tomorrowland ou UMF, os DJs têm cerca de 60 minutos para performarem, o que geralmente os leva a priorizar hits e drops energéticos, deixando pouco espaço para experimentação.

Créditos: Paul Bergen/Redferns

Marathon sets e a liberdade criativa

No entanto, os marathon sets surgem dando mais liberdade criativa para os produtores, permitindo-os expandirem seu leque de vertentes e subvertentes dentro do set, além de mostrarem a capacidade deles de estudarem e controlarem a pista.

Nesse cenário, artistas como Reinier Zonneveld, que é famoso por tocar sets de 10 horas no Awakenings, e Carl Cox, que domina pistas por, pelo menos, 6 horas, são exemplos de como o tempo extra em suas apresentações permite explorar diferentes estilos e surpreender o público com narrativas musicais muito bem construídas.

Durante os long sets, os DJs têm tempo de observar a pista, entender as nuances da energia do público e moldar a experiência de forma mais personalizada. Essa troca é o que torna essas apresentações únicas e memoráveis.

Créditos: Andres Iglesias

Essa troca e conexão mais profunda não é apenas técnica, mas também emocional, permitindo ao público sentir cada música e transição como parte de uma narrativa construída cuidadosamente.

Locais como o Berghain e o DC10 (Ibiza) são lendários por oferecerem aos DJs a chance de tocar por 10, 12 ou até 24 horas, criando uma atmosfera onde o público embarca em uma jornada sonora completa.

 A experiência que marca para sempre

Para finalizar, a verdade é que quem já teve a experiência de presenciar um long set bem construído jamais irá se contentar com sets de uma hora ou uma hora e meia. A conexão, a profundidade e a narrativa criadas em horas de música ininterrupta vão muito além de uma simples performance: é uma experiência que ressignifica a maneira como o público vivencia a pista.

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