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Por
Bruno Artois
O Liquicity Festival não nasceu grande.
Em 2015, era uma aposta arriscada em Diemerbos, nos arredores de Amsterdã. Um festival open-air totalmente dedicado ao drum & bass em um país onde o gênero ainda não era dominante. Dez anos depois, essa aposta virou referência global.
A edição de 2026, marcada para os dias 24, 25 e 26 de julho, não é apenas comemorativa. Ela funciona como um retrato completo da evolução do drum & bass na última década.
O grande acerto do Liquicity sempre foi não cair na armadilha da polarização entre underground e mainstream.
E o line up de 2026 deixa isso explícito.
Nomes como Netsky, Andy C, Wilkinson e Hybrid Minds representam diferentes momentos e vertentes do gênero. Shy FX traz a raiz. Fox Stevenson adiciona performance ao vivo. Já artistas como IMANU, Kanine e A.M.C mostram para onde o som está indo.
Não é um festival que tenta agradar todo mundo. É um festival que entende o ecossistema inteiro.
E isso faz diferença.
Celebrar uma década poderia facilmente virar um exercício nostálgico. Mas o Liquicity opta por algo mais interessante: equilíbrio.
Maduk, Koven, Feint, Andromedik e Calibre aparecem como nomes que ajudaram a construir a identidade do festival. Não estão ali por memória. Estão ali porque ainda fazem sentido.
Ao mesmo tempo, a presença de mais de 100 artistas distribuídos em três palcos amplia o espectro. O festival não se fecha em um som específico. Ele percorre do liquid ao neuro, do melodic ao high-energy.
É uma curadoria que respeita passado sem comprometer o futuro.
Entre todos os elementos da edição de 2026, o mais estratégico é o que acontece no sábado. O Solar Stage será inteiramente dedicado aos 10 anos do festival. Na prática, isso significa sets especiais, construídos com referências diretas à história do
Reduzir o Liquicity a nomes seria simplificar demais. O festival acontece em Geestmerambacht, uma área aberta em North-Holland que se tornou praticamente uma extensão da identidade do evento. O espaço é amplo, com áreas de água e respiro visual, mas mantém sensação de proximidade entre público e artistas.
Essa combinação é rara. Você tem escala internacional com atmosfera íntima. Não é apenas mais um palco. É um ponto de convergência emocional.
Esse tipo de decisão mostra maturidade. Poucos festivais conseguem transformar retrospectiva em experiência real de pista.
Talvez o ponto mais forte do Liquicity não esteja no palco. Está no público.
Desde 2008, o projeto construiu uma comunidade global em torno do drum & bass. Hoje, visitantes de mais de 60 países se encontram anualmente no festival.
E isso não é apenas discurso.
O evento incentiva interação real. Workshops organizados pelos próprios participantes, encontros para quem vai sozinho, atividades paralelas como quizzes e dinâmicas coletivas. Isso muda completamente a experiência.
O festival deixa de ser consumo e vira pertencimento.
O crescimento do Liquicity acompanha um movimento maior.
O drum & bass, que durante anos ocupou nichos específicos, voltou a ganhar relevância global. Plataformas digitais, TikTok e novos formatos de distribuição ampliaram o alcance do gênero.
Mas o Liquicity não tenta adaptar o som para caber em tendência.
Ele mantém identidade.
E isso explica a consistência ao longo dos anos.
A edição de 10 anos não será apenas a maior em número de artistas. Será provavelmente a mais completa em proposta.
Você pode esperar:
Transições entre estilos sem ruptura
Equilíbrio entre energia e emoção
Sets pensados para narrativa, não apenas impacto
Um público mais conectado do que disperso
E principalmente, um festival que entende exatamente o que ele é. O Liquicity Festival 2026 não é sobre provar relevância. Isso já foi feito.
A décima edição funciona como consolidação. Um festival que começou como aposta se tornou referência global dentro do drum & bass, sem precisar abandonar sua essência no caminho.
E talvez esse seja o maior mérito. Em um cenário onde muitos eventos crescem e perdem identidade, o Liquicity faz o contrário.
Ele cresce porque mantém.
NETSKY ● WILKINSON ● HYBRID MINDS
ANDY C ● SHY FX ● FOX STEVENSON LIVE ● KOVEN
A.M.C ● ANDROMEDIK ● CALIBRE ● CULTURE SHOCK
DELTA HEAVY ● KANINE ● MADUK ● SIGMA
4AM KRU ● ÆON:MODE ● AKTIVE ● ALIBI ● ANAÏS ● ARTINO
BASSTRIPPER ● BCEE ● BOXPLOT ● CARTOON ● CATCHING CAIRO
DISRUPTA ● DOSSA ● DUALISTIC ● EDLAN ● EKKO & SIDETRACK
ESKEI83 ● ETHERWOOD ● FEINT ● GENETICS ● GLXY
GODDARD. ● HIRAETH ● IMANU ● JON VOID ● L.A.O.S
LENZMAN ● LEXURUS ● LOBOSKI ● LOW:R ● MANDIDEXTROUS
MATRIX & FUTUREBOUND ● MONRROE ● NATTY LOU ● NCT
NYMFO ● PIRAPUS ● POLA & BRYSON ● PYTHIUS ● RAMESES B
S.P.Y ● SKANTIA ● SLESS ● SUBSONIC ● T & SUGAH
TANTRUM DESIRE ● TECHNIMATIC ● TELOMIC ● VOICIANS ● YUE
48PAST ● ALB ● APERIO ● ASTRONYMOUS ● AURIS ● BOTONE
CREEK ● CURIOUS MIND ● FLINT & FIGURE ● IMO-LU ● IPKISS
KIETSUNE ● LIRIOS ● MATT VIEW & HANNELOTTA ● MIDAZE
MIESFM ● MOD ● NOPPO ● ONEIROI ● OPERATOR21 ● PHOIBE
REX HOOLIGAN ● STYKE ● VOXI ● ZAZU
Encontrei minha paixão pela música eletrônica na infância e sonho em viajar pelo mundo fazendo o que amo e conhecendo novas culturas.
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