Agenda
Laurent Garnier anuncia despedida das grandes turnês e confirma duas datas no Brasil
Pioneiro da música eletrônica francesa se apresenta em São Paulo e Santa Catarina em uma das últimas passagens pelo país
Pioneiro da música eletrônica francesa se apresenta em São Paulo e Santa Catarina em uma das últimas passagens pelo país
Publicado
2 meses atrásem
Por
Bruno Artois
Laurent Garnier está voltando ao Brasil em um momento simbólico de sua carreira. Aos 59 anos, o DJ e produtor francês confirmou duas apresentações no país enquanto inicia um processo de despedida das longas turnês internacionais. As datas fazem parte de uma agenda mais seletiva, que deve reduzir drasticamente o número de shows anuais a partir de agora.
Garnier se apresenta no dia 17 de abril em São Paulo, em local ainda a ser anunciado, e no dia 18 de abril no Warung Beach Club, em Santa Catarina.
Muito antes de Daft Punk e Air levarem a música eletrônica francesa ao mainstream global, Laurent Garnier já ocupava esse papel nas pistas. Sua trajetória começa longe do glamour, trabalhando como garçom em Manchester, onde descobriu a cultura clubber na lendária The Haçienda. A partir dali, construiu uma carreira baseada em house, techno, ambient e jazz, sempre com liberdade estética e curiosidade musical.
Esse espírito fez de Garnier uma referência mundial e um nome respeitado tanto em clubes quanto em festivais, sem nunca abandonar o vínculo com a pista.
A relação de Laurent Garnier com o Brasil vem desde os anos 1990, quando a cena eletrônica nacional ainda estava em formação. Uma de suas primeiras passagens por São Paulo aconteceu no after hours Hell’s Club, em uma noite que entrou para o folclore da cena. O DJ teria pago o café da manhã do público que permaneceu até o fim do set, transformando aquela manhã em uma história repetida até hoje.
Anos depois, Garnier voltaria a marcar época com um set de oito horas no Lov.e, em uma segunda feira que ficou conhecida como o “feriado clubber”. Para muitos, aquela noite ajudou a consolidar o entendimento do DJ como condutor de narrativa, não apenas como executor de faixas.
A construção de uma memória coletiva da pista ajuda a entender por que artistas como Garnier ocupam um lugar central na memória da pista brasileira. Eles chegaram quando ainda não havia estrutura, mercado ou validação, e ajudaram a sustentar uma cultura que estava sendo formada em tempo real. Esse contexto é aprofundado no especial A geração que sustentou a cena quando ainda não existia cena, que revisita os nomes, espaços e escolhas que criaram as bases da música eletrônica no país.
Em 2000, o álbum Unreasonable Behaviour chegou ao Brasil causando impacto imediato. O disco, lançado pela F Communications, tornou-se item disputado em lojas especializadas e ajudou a formar o repertório de uma geração de DJs brasileiros.
A F Communications, criada por Garnier em 1994, viria a se tornar uma das gravadoras mais influentes da música eletrônica mundial, reforçando seu papel não apenas como artista, mas como agente cultural.
Em entrevista à France Inter Radio, repercutida pelo Resident Advisor, Laurent Garnier afirmou que pretende encerrar as longas turnês “muito em breve”. A ideia é tocar no máximo cerca de dez vezes por ano, priorizando locais menores e contextos mais controlados.
“Eu sempre pedi às pessoas que trabalham comigo para me avisarem no dia em que me virem descendo a montanha, quando eu viraria apenas uma jukebox empoeirada”, afirmou o artista, que completa 60 anos em fevereiro.
A declaração resume bem a postura de Garnier ao longo da carreira. Permanecer relevante sem se tornar automático. Respeitar o próprio tempo e o da pista.
A passagem de Laurent Garnier pelo Brasil em abril não deve ser lida como despedida definitiva, mas como parte de um movimento consciente de redução e escolha. Para um artista que ajudou a definir parâmetros de qualidade, narrativa e entrega na música eletrônica, encerrar ciclos com coerência talvez seja seu último grande gesto artístico.
Para o público brasileiro, trata-se de mais uma oportunidade de testemunhar um nome que ajudou a construir a história da pista quando ela ainda estava sendo inventada.
Encontrei minha paixão pela música eletrônica na infância e sonho em viajar pelo mundo fazendo o que amo e conhecendo novas culturas.
O poder da identidade sonora: por que alguns artistas e hits atravessam gerações
Warung celebra o último Carnaval com duas noites históricas e artistas que moldaram sua identidade
Voodoo Village 2026 revela lineup inicial com Vintage Culture, PAWSA e DVS1
Do LaB anuncia lineup do seu palco no Coachella 2026
Carnaval do Surreal Park 2026 reúne três palcos e um dos lineups mais fortes da história do club
Se você acha que rave é gênero musical, a gente precisa conversar.
Depois de marcar época em sua estreia no clube em 2023, o Blackartel Festival está de volta ao CAOS. A...
Eric Prydz anunciou hoje o retorno do EPIC Radio no dia 5 de março de 2026. Com um formato totalmente...
Os fãs já podem começar a organizar o cronograma de shows para aproveitar ao máximo a experiência no Lollapalooza Brasil....
A DJ brasileira Scheilla Santos, conhecida artisticamente como SHE.FREQ, de 34 anos, natural da Bahia e radicada em Londres, decidiu...
Neste sábado (28), a casa recebe o retorno de Illusionize em uma noite que reforça a nova fase do CAOS.
As lendas Ferry Corsten, Sander Kleinenberg e Viktor Mora estão entre os primeiros confirmados