Após o sucesso de remixes de nomes como Bakermat, dessa vez, a percussão corporal se entrelaça a sintetizadores com contornos de organicidade, criando uma fusão entre o ancestral e o moderno. “O remix do Riascode ficou muito interessante. Ele usa o sample dos vocais das meninas no ‘Baianá’ e também a embolada cantada pelo Marcelo Pretto. Junto disso, ele traz elementos percussivos com instrumentos como cuíca, agogô, repinique, trazendo características da cultura brasileira, algo que o Barbatuques valoriza muito”, comenta o músico. O Barbatuques vive momento de celebração por seus 25 anos.
“Quando eu comecei a releitura eu sabia que não dava para eu simplesmente fazer um remix, eu tinha que manter a essência – pegar o que já era forte e só dar um toque e dar um empurrãozinho sem exagerar”, afirma Riascode. A roupagem escolhida para o estilo sonoro da faixa do produtor tem proeminência em festas ao redor do mundo, incluindo grandes centros da música eletrônica como Ibiza, graças ao sucesso de nomes estrangeiros como Keinemusik e Black Coffee.
Sobre a faixa em específico, o DJ e produtor mostra que o seu maior desafio foi na produção do baixo: “A parte mais desafiadora foi essa, porque a ‘Baianá’ original não tem uma harmonia original – é muita percussão e vocal. Eu fiz a bassline seguindo a melodia do vocal… ninguém nunca fez isso.”
O lançamento marca mais um capítulo da parceria de Riascode com a Dawn Patrol Records, gravadora fundada por Maz e Antdot que, desde 2020, vem reafirmando o lugar do Brasil no mapa da música eletrônica global. O artista já havia apresentado trabalhos como “Maré” – releitura de “Doce Encanto” de Amanda Magalhães produzida junto a Antdot – e “Suno”, além do EP We All Deserve God’s Blessings, que consolidou seu nome como um dos grandes talentos afro house nacional.
Aos 21 anos, Riascode carrega consigo não apenas a bagagem musical, mas também o peso e o orgulho da representatividade. Um dos poucos artistas negros em posição de destaque na cena mainstream brasileira e cria da periferia de São Paulo, ele já se apresentou em festivais como Tomorrowland Brasil, Lollapalooza BR e Ultra Music Festival Brasil, além de turnês internacionais junto ao coletivo Dawn Patrol, como Portugal e Paris.
A releitura eletrônica de “Baianá” é a reafirmação de que a música brasileira, quando revisitada com respeito e criatividade, pode continuar conquistando novos públicos sem perder sua essência. “Foi um projeto que me desafiou bastante. Me conectou com algo maior, recriar Baianá pra mim foi uma verdadeira honra”, reflete Riascode.