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Quanto os brasileiros gastam com bebida em shows e festivais?

Brasileiros gastam R$ 120 em bebidas alcoólicas em shows. Descubra o que isso revela sobre o público e as novas tendências nos festivais.

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Créditos: wundervisuals

Quanto gastamos com bebida nos shows? Um brinde aos números explicando nossos hábitos

Se você já foi a um show ou festival, provavelmente gastou algo em torno de R$ 120 com bebidas alcoólicas, e não está sozinho. Esse é o gasto médio estimado por pessoa em 2025, conforme o Relatório do Mercado de Eventos no Brasil da plataforma Zig.

Curiosamente, esse número representa um aumento de 10,7% em relação a 2024, quando o valor era de R$ 108,96. Ou seja: no ano seguinte, o copo ficou mais caro, e não apenas pela inflação.

Cerveja reina, mas a nova geração tem um novo “preferido”

A cerveja segue sendo a preferida nos eventos: ela representa incríveis 77% das vendas de bebidas alcoólicas nesses espaços. Praticidade, tradição e preço ajudam, mas há uma reviravolta interessante.

Entre os jovens de 15 a 29 anos (a Geração Z), cresce a adesão aos drinks “prontos para beber” (RTD) — aquelas misturas enlatadas de vodka ou cachaça com sucos, refrigerantes e outros ingredientes, que exigem zero preparo.

Isso reflete uma mudança real: mais praticidade, mais sabor e uma vibe mais “Instagramável”.

Por que isso importa?

Porque esses números revelam muito mais que consumo. Eles mostram:

  • Tendências de comportamento do público jovem

  • Oportunidades de mercado para marcas de bebidas

  • Como o setor de eventos precisa se adaptar a novos sabores e formatos

Vamos explorar esses aspectos nos próximos trechos — e já adianto: tem bebida personalizada e estratégias que funcionam nesse cenário.

Créditos: domoyega

Cerveja domina, mas os RTDs começam a ganhar espaço

Beber em um festival é mais do que saciar a sede. É uma declaração de pertencimento. A bebida que você segura, assim como o look que você veste (e que exploramos neste artigo sobre a evolução dos looks de rave no Brasil), comunica sua tribo, seu estilo e sua relação com o evento.

A hegemonia da cerveja em shows e festivais ainda é indiscutível. Representando 77% das vendas de bebidas alcoólicas nesses eventos, ela continua sendo a escolha da maioria do público, seja pela tradição, pelo preço relativamente acessível ou simplesmente pelo hábito cultural brasileiro. A cena dos grandes festivais de música eletrônica e dos shows nacionais confirma essa preferência: copos de cerveja são praticamente extensão da mão do público, do começo ao fim da noite.

Mas algo interessante acontece quando olhamos para os jovens de 15 a 29 anos. Eles estão mudando os padrões de consumo com a ascensão dos chamados drinks prontos para beber (RTDs). Essas latinhas e garrafinhas misturam destilados como vodca, gin ou cachaça com refrigerantes, sucos e até ingredientes exóticos, prontos para consumo imediato. A praticidade é o ponto forte, mas não é o único. Esses drinks carregam um apelo estético que conversa com o comportamento da Geração Z, que valoriza experiências rápidas, sabor marcante e uma boa dose de “instagramabilidade”.

Esse movimento reflete uma tendência global. No Brasil, marcas como a Ambev têm reforçado seus portfólios de RTDs para disputar espaço com a tradicional cerveja, especialmente em épocas de grande consumo, como o Carnaval. Segundo dados da InfoMoney, produtos zero álcool, zero açúcar e prontos para beber lideram as estratégias de vendas da gigante.

Além disso, uma análise publicada pela CGA Strategy mostra que os RTDs têm conquistado cada vez mais espaço em bares e restaurantes brasileiros. O motivo é claro: oferecem conveniência e inovação ao público que não quer perder tempo na fila esperando um coquetel elaborado.

No universo dos shows, isso representa uma verdadeira revolução. Enquanto a cerveja mantém sua posição como rainha das vendas, os RTDs estão abrindo caminho para um novo capítulo da cultura de consumo em eventos, onde praticidade e identidade de marca andam de mãos dadas.

O impacto cultural e econômico da mudança de consumo

Quando falamos de consumo de bebidas em shows e festivais, não estamos tratando apenas de números de vendas. O que o público escolhe beber também é um reflexo cultural e afeta diretamente a economia desses eventos. A presença maciça da cerveja moldou a logística de bares, fornecedores e patrocinadores por décadas. Basta lembrar que grandes festivais como o Lollapalooza Brasil e o Rock in Rio sempre tiveram gigantes da indústria cervejeira como parceiros principais, ocupando espaços estratégicos e reforçando a ideia de que o copo de cerveja é inseparável da experiência musical.

A ascensão dos drinks prontos para beber, no entanto, começa a movimentar esse equilíbrio. Se antes o modelo de negócio era baseado quase exclusivamente em barris de chope e long necks, agora os eventos precisam considerar o espaço para geladeiras, latas estilizadas e campanhas publicitárias diferentes. Essa transição tem impactos econômicos importantes, desde o tipo de patrocínio que os organizadores vão buscar até o perfil de margem de lucro nas vendas.

Culturalmente, os RTDs também alteram a maneira como o público se conecta com a festa. A embalagem moderna, colorida e personalizada desses produtos conversa diretamente com uma geração que gosta de exibir seu lifestyle nas redes sociais. Segurar uma lata de gin tônica ou de caipirinha pronta é, para muitos jovens, uma forma de mostrar estilo, de se diferenciar da massa de copos de cerveja que ainda dominam a pista. Essa transformação acompanha o que já vimos acontecer em outros países, onde os RTDs viraram tendência entre jovens urbanos em festivais e baladas.

No Brasil, esse movimento também encontra eco na cena eletrônica. Festas independentes e clubs alternativos, como os retratados na DropDaily, já percebem a demanda por opções além da cerveja e investem em cardápios mais variados. Isso abre espaço para novas marcas, ativações criativas e até experiências sensoriais que unem bebida, performance e música.

O futuro das bebidas em shows e festivais no Brasil

O comportamento do público mostra que estamos apenas no início de uma transformação. Se por um lado a cerveja segue firme como a bebida favorita dos brasileiros nos eventos, por outro, a ascensão dos RTDs (drinks prontos para beber) indica que as próximas temporadas de festivais podem ter uma cara bem diferente.

Grandes marcas já perceberam o movimento e começam a diversificar seus portfólios. A Ambev, por exemplo, tem apostado em linhas de gin tônica enlatada e caipirinhas prontas, enquanto outras empresas internacionais miram no público jovem que busca conveniência e praticidade. Essa disputa promete aquecer o mercado e abrir espaço para ativação de marcas mais criativas e personalizadas dentro dos eventos.

Outro ponto importante é a mudança no perfil de consumo responsável. Festivais e casas noturnas têm investido em campanhas que incentivam a moderação, algo essencial em um contexto onde bebidas mais fortes se popularizam. A tendência é que, junto do crescimento dos RTDs, também surjam novas opções sem álcool com a mesma estética cool e instagramável, voltadas para quem quer participar da experiência sem comprometer a saúde.

No cenário da música eletrônica, por exemplo, essa transformação é ainda mais visível. Festas que antes dependiam exclusivamente da cerveja como fonte de renda agora começam a oferecer cardápios mais elaborados, acompanhando o estilo de vida de uma geração que valoriza diversidade, autenticidade e experiência completa.

Se o presente já mostra uma disputa acirrada entre cerveja e RTDs, o futuro promete trazer uma cena muito mais plural, onde o copo que você segura na mão vai dizer tanto sobre você quanto o look que escolheu para a pista.

Nas pistas da música eletrônica, o copo também vira manifesto

Quando se fala em música eletrônica, é impossível ignorar a conexão entre experiência sensorial e consumo. Não se trata só do som: luz, estética, moda e o que se bebe formam um ecossistema emocional. E, nos últimos anos, essa equação ganhou um novo elemento de destaque — a bebida como parte da identidade do rolê.

Com um ticket médio de R$ 120 por pessoa, as operações de bar se tornaram estratégicas para a rentabilidade de eventos. Ao mesmo tempo, surgem novas demandas:

  • Drinques sustentáveis com menos plástico e mais ingredientes naturais

  • Opções sem álcool mais elaboradas (mocktails) para um público cada vez mais diverso

  • Experiências premium com marcas artesanais, mixologia autoral e serviço personalizado

O próprio Tomorrowland, conhecido por sua imersão sensorial, investe em barras conceituais e drinks assinados, como mostramos na cobertura do DreamVille Brasil.

Nos grandes festivais eletrônicos do Brasil como o XXXperience, Só Track Boa e o próprio Tomorrowland Brasil, é cada vez mais comum ver parcerias com marcas de bebidas lançando drinks exclusivos, latas personalizadas, ativações imersivas e até espaços instagramáveis com coquetéis prontos.

Esse movimento acompanha uma nova geração de ravers, mais conectada, mais visual e com preferências cada vez mais personalizadas. A tradicional lata de cerveja já não é suficiente para compor o cenário de um after épico ou daquele registro em vídeo pro TikTok. Agora, drinks coloridos, com design de embalagem ousado e sabor adocicado, dominam os copos na pista.

Marcas como Beat, Ice, Catuaba e Tanqueray Ready vêm ganhando espaço no cenário eletrônico brasileiro com sua linguagem jovem, irreverente e estética pop. Além disso, coletivos como o Mamba Negra, Tantsa e Gop Tun têm repensado não só a música, mas toda a proposta de bar, oferecendo desde drinks autorais até opções sem álcool, criando um ambiente mais inclusivo e diversificado.

Isso mostra que, na cena eletrônica, o que se consome no copo vai além do álcool, é sobre estilo, pertencimento e até posicionamento político. Um drink pode ser statement, pode ser afeto, pode ser resistência.

Quer entender melhor como essa lógica estética impacta toda a experiência dos eventos? Dê uma olhada também no nosso artigo sobre o visual da cena techno no Brasil.

Cenário global: o que a música eletrônica tem a ver com isso?

No mundo da música eletrônica, o consumo de bebidas é parte da construção de um universo paralelo: neon, performance, visual e sabor se misturam. Festas como Elrow e clubes como Berghain ou Printworks souberam integrar gastronomia, mixologia e arte, criando um estilo de vida.

No Brasil, coletivos como Capslock, Mamba Negra e Tomorrowland Brasil têm seguido esse caminho, oferecendo mais do que som: uma vivência completa que inclui o que você bebe, veste e compartilha.

O copo diz tanto quanto o som

Seja com uma cerveja gelada, um drink de vodca com suco cítrico, uma latinha estilizada pronta pra beber ou até um coquetel sem álcool, o que se bebe nos eventos não é detalhe — é parte da narrativa.

O comportamento do público brasileiro em shows, festivais e baladas mostra que consumo e experiência caminham juntos. E a música eletrônica, com sua estética marcante e liberdade criativa, é terreno fértil para que o copo se torne extensão da pista: colorido, ousado, conectado às tendências e às pessoas que ali celebram.

Mais do que nunca, marcas, produtores e festivais precisam estar atentos ao que está na mão do público — porque isso também revela quem está no coração da cena.

Se o consumo de bebidas já foi apenas coadjuvante nas festas, hoje ele é parte do roteiro principal. Os R$ 120 gastos não são apenas cifras: representam uma jornada sensorial, uma escolha estética, um gesto social.

Entender essas preferências é essencial para quem produz eventos, ativa marcas ou simplesmente vive o circuito da música com intensidade. Porque na pista, tudo comunica. E o copo também fala.

E você, já reparou o que está bebendo no seu rolê? Ou melhor: o que essa escolha diz sobre você?

Para mergulhar mais fundo na cultura da música eletrônica no Brasil, explore também outros conteúdos no site da DropDaily.

Encontrei minha paixão pela música eletrônica na infância e sonho em viajar pelo mundo fazendo o que amo e conhecendo novas culturas.

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