Publicado
1 ano atrásem
Por
Eduardo Pinheiro
Recentemente, a DJ e produtora britânica Paula Temple anunciou sua decisão de encerrar as turnês para focar exclusivamente na produção musical. Paula revelou que está enfrentando desafios relacionados à sua saúde mental, além de sentir uma desconexão com o “novo hard techno”.
Essa decisão joga luz a um assunto extremamente importante e, ainda, muito estigmatizado: a saúde mental dos artistas.
Antes de tudo, é importante dizer que a saúde mental de qualquer pessoa pode ser afetada, independente da sua ocupação ou classe social. Quando isso ocorre, buscar apoio profissional especializado é sempre o caminho mais indicado.
Um estudo de 2019, realizado pela Universidade de Westminster em parceria com a MusicTank, revelou que os músicos são três vezes mais propensos a sofrer de ansiedade e depressão em comparação à população geral. O relatório completo pode ser acessado aqui.
A organização britânica Mind, que atua no campo da saúde mental, também identificou que fatores como a dificuldade em equilibrar trabalho e vida social, insegurança financeira e o fácil acesso a álcool e drogas são importantes contribuintes para a redução da qualidade de vida dos músicos. Mais informações sobre esse estudo estão disponíveis neste link
Embora o pacote de benefícios em trabalhar com música eletrônica seja extremamente recompensador e ofereça muitas oportunidades, ele também pode trazer um conjunto de desafios e pressões que influenciam negativamente a saúde mental dos DJs.
Um dos principais fatores é a rotina exaustiva de trabalho. Muitos DJs passam noites inteiras em atividade, já que a maioria dos eventos acontece durante a madrugada e se estende até o amanhecer. Além disso, o tempo dedicado à produção musical em estúdios é intenso, aumentando o cansaço físico.
A isso se somam as constantes viagens, com inúmeras horas em aviões e carros, o que pode ser desgastante. A privação de sono causada por esse regime, a longo prazo, contribui para sentimentos de isolamento e solidão, afetando negativamente a qualidade de vida, com aumento de estresse e exaustão mental.
As redes sociais têm um papel ambíguo na vida dos artistas. Por um lado, o feedback construtivo pode ajudar a elevar suas carreiras; por outro, críticas destrutivas e discursos de ódio podem gerar consequências graves para a saúde mental.
Desde o fim da pandemia, a cultura de criticar e ofender artistas nas redes cresceu exponencialmente, aumentando, na mesma escala, o número de artistas relatando problemas com sua saúde mental.
Outra tendência preocupante é a rivalidade entre públicos de diferentes estilos musicais. Críticas gratuitas e comparações entre vertentes, como as que opõem estilos da dance music, reforçam a necessidade de conscientização sobre o respeito e a ética no uso das redes. Não gostar do som de um artista não justifica ataques pessoais ou desrespeito.
Diante desse cenário, iniciativas como o projeto “Allies” da Music Minds Matter, lançado no Dia Mundial da Saúde Mental, são fundamentais. O programa promove a saúde mental na indústria musical por meio de eventos e recursos voltados para artistas e profissionais do setor.
Com o apoio de empresas parceiras, o projeto organiza atividades ao longo do ano para reforçar a importância do bem-estar mental e oferecer suporte aos trabalhadores da música.
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